terça-feira, 17 de outubro de 2017

Xanana Gusmão quer "ganhar experiência" como oposição em Timor Leste

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Funchal, Madeira, 16 out (Lusa) - O antigo presidente de Timor Leste e líder do CNRT, partido que ficou em segundo lugar nas eleições de julho, disse hoje, no Funchal, que pretende "ganhar experiência" como oposição, escusando-se a revelar se apoia o programa de governo.

"Depois do resultado das eleições, fizemos [o CNRT - Congresso Nacional da Reconstrução Timorense] uma conferência nacional e decidimos sobre que ação iríamos tomar. E decidimos que seríamos um partido da oposição para termos também tempo suficiente para implementarmos um programa de formação de quadros do partido, para ter preparação e ganhar experiência como oposição", afirmou Xanana Gusmão, em visita à ilha da Madeira.

O responsável vincou, por outro lado, que se encontra fora do país há dois meses, ocupado com assuntos internacionais, nomeadamente relacionados com as fronteiras marítimas de Timor Leste e com iniciativas do g7+, um grupo de 20 países com estados frágeis e conflitos internos, a que preside.


"Não me situo para cima do governo atual. Eu não digo que represento o Estado. Só tenho a agradecer a todos os partidos que continuaram a confiar em mim na defesa dos interesses da nação. O [meu] partido está lá", disse Xanana Gusmão, escusando-se a revelar qual será a posição do CNRT quanto ao programa do executivo da FRETILIN.

"Aparecemos em 2006, na crise, e fomos logo governo por dois períodos consecutivos. E agora, como perdemos, dissemos assim: vamos pensar, vamos melhorar a capacidade para vencer se continuarmos a participar neste jogo de democracia", sublinhou.

As três forças da oposição em Timor Leste - Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), Partido Libertação Popular (PLP) e Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) - controlam 35 deputados e uniram-se na semana passada numa Aliança de Maioria Parlamentar (AMP) que quer ser alternativa de Governo se o programa do executivo, liderado pela FRETILIN com 23 deputados, for chumbado e o Governo cair.

A lei timorense prevê que o programa do Governo seja debatido ao longo de cinco dias consecutivos e só seja votado caso o Governo apresente um voto de confiança ou a oposição apresentar uma moção de rejeição.

De referir que os programas dos últimos dois Governos não foram alvo de qualquer votação, tendo sido debatidos mas não votados.

DYC (ASP) // ANP
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Publicação luso-timorense sem fins lucrativos

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